100 dádivas
Há dias recebi um SMS do Instituto do Sangue a avisar-me das alterações que tinham feito ao seu portal (cujo endereço, curiosamente, não acaba em .pt).
As novidades têm a ver com o facto de agora se poder consultar o histórico pessoal de dádivas e mesmo marcar a próxima dádiva. Claro que isto só se aplica a quem já tem o cartão de dador, mas isso é simples - basta dar a primeira vez
O que achei mais curioso e marcante foi a página, qual “hall of fame”, que tem a lista com os dadores que já fizeram mais de 100 dádivas. Não deixa de ser um número impressionante, principalmente se se tiver em consideração que só se pode dar sangue 3 ou 4 vezes por ano.
Como de costume, pus-me aqui a fazer contas: a dádiva de sangue é relativamente rápida, leva cerca de 5 minutos. Mas todo o processo, desde o atendimento, a consulta médica, a dádiva propriamente dita e o lanche no final leva cerca de meia hora. Ou seja, estes homens deram 50h da sua vida (o que são 50h? Dois dias, pouco mais) para ajudar uma centena de pessoas que receberam o seu sangue.
Às vezes voluntariamo-nos para causas que nos ocupam dias ou semanas e não conseguimos chegar a tanta gente. Às vezes gastamos horas a remoer em como nos sentir melhor e nem sequer a nós próprios nos conseguimos ajudar. E estes homens, com tão pouco tempo dispendido alteram a vida de tanta gente.
Eu, na minha conta já vou com 14 dádivas. E só tenho pena de ter ido a Moçambique a trabalho há uns meses porque vou estar impedido de o fazer durante algum tempo, para evitar o eventual contágio de doenças tropicais. Mas assim que o meu prazo de “quarentena” passar faço tenções de voltar. E desta vez com um novo objectivo de vida - passar um dia a figurar também naquela página. Ainda tenho 30, acho que ainda consigo lá chegar
Já agora, para quem ler isto, se é saudável e nunca deu sangue, não há como agora para começar. Na página do instituto, do lado direito, há um mapa. Basta clicar no seu distrito para procurar a data da próxima visita de uma Brigada de Recolha de sangue à sua vizinhança e marcar um alarme no telemóvel para não se esquecer. Ou, em alternativa, passar por um dos centros regionais no Porto, Coimbra ou Lisboa ou a um hospital onde façam recolha de sangue.
Finalmente, se não há brigadas que se desloquem à sua zona, pergunte no trabalho ou aos vizinhos se há mais interessados. Se houver um número suficiente de pessoas, mande um mail ao IPS e peça para mandarem aí uma brigada - não custa nada… e pode fazer tanto!
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