Observação - campo do Alvre, 9/10-Agosto-2008
Esta noite foi noite de observação astronómica. Já tinha algumas saudades, há quase um ano que não saía para observar.
Como coincidiu com o fim de semana da AstroFesta não havia muita gente. Basicamente os três habituais - eu, o Nuno Coimbra e o Rui Santos. Os telescópios presentes foram o meu e o do Nuno.
À chegada houve algumas surpresas. Nomeadamente o facto de terem asfaltado o caminho mesmo até ao campo (sinal de que é altura de começar a procurar outro sítio?). A iluminação da vizinhança também aumentou. Apesar de não haver Lua acima do horizonte, uma vez que começámos já depois da meia noite, nunca precisei de lanterna para ver o que fazia. A lanterna basicamente foi só para consultar os mapas mas mesmo isso, com um pouco de jeito quase que se conseguia fazer virando o livro para a luz dos candeeiros mais próximos.
Seja como for, a noite estava belíssima. A Via Láctea estava perfeitamente visível à nossa chegada (tanto quanto é possível a esta distância de uma cidade como o Porto e Valongo). Acho mesmo que nunca a tinha visto tão nítida aqui no Alvre.
O meu telescópio foi prontamente alinhado e apontado para Júpiter. Pelos vistos ainda não me esqueci de como se faz
À meia noite, no entanto, Júpiter já estava a descer e começava a notar-se a turbulência provocada pela atmosfera. Ainda me entretive a tentar procurar outros objectos mais distantes mas a falta de prática e a fraca abertura do tubo levaram-me a desistir da ideia.
A maior parte da noite foi, portanto, passada de volta do telescópio do Nuno. Aquelas 10” de abertura, realmente fazem muita diferença. Com a ajuda da memória nuns casos e das cartas celestes noutros lá fomos vendo uma série de nebulosas, enxames e galáxias. Vi a Veil pela primeira vez - o próprio Nuno ficou surpreendido pelo facto de se ver tão bem naquele local apesar da poluição luminosa.
Pelas 3h00 o frio começou a apertar, a nebulosidade a aumentar e acabámos por vir embora. Ainda apontei o telescópio uma última vez para Júpiter, quase a desaparecer atrás do monte mais próximo e o planeta parecia ferver, tanta a interferência atmosférica (habitual quando os objectos estão próximos do horizonte).
Foi bom voltar a mexer nestas coisas. Da próxima tento tirar fotos (tenho que arranjar um tripé para a máquina, primeiro)
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De olho no farol

farol reflectido nuns óculos de Sol
A acção em si foi bastante simples - uma pequena exposição de cerca de meia hora, onde nos foram mostrados vários tipos de faróis e foi dada uma explicação sobre a sua importância (mesmo apesar de estarmos no tempo do GPS). Por exemplo, descobri que os faróis são todos mais ou menos diferentes para mesmo de dia funcionarem como marcos. Um marinheiro consulta a sua carta de faróis e, pelo seu aspecto, consegue descobrir em que ponto da costa se encontra. Mesmo durante a noite cada farol tem a sua assinatura (isto eu já sabia) - a frequência dos flashes não é igual em todos os faróis e o número de flashes também é diferente de uns para os outros. Por exemplo, o farol de Leça emite 3 flashes a cada 14 segundos.
Um farol está cheio de sistemas redundantes - aquilo tem mais redundância que o 112, de certeza. Em jeito de brincadeira, o comandante que nos deu a explicação, disse que um farol só falha numa circunstância - quando cai
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Efemérides
Faz hoje 37 anos que o primeiro Rover foi conduzido na Lua. Os austronautas da Apollo 15 tiveram o privilégio de ser os primeiros a conduzir um veículo motorizado na Lua… quer dizer, de corpo inteiro, há por aí muita gente que conduz com a cabeça na Lua :-/
No também no dia de hoje, há mais de 2000 anos atrás que se travou a batalha de Alexandria. Marco António conseguiu repelir as forças romanas e impedir a invasão do Egipto. Infelizmente, acabaria por cair alguns dias depois.
Há precisamente 9 anos atrás, a NASA provocava a queda da sonda Lunar Prospector na Lua, para tentar descobrir gelo na Lua. A parte final não teve o resultado desejado (ela despenhou-se sim, mas não foram detectados vestígios de gelo) mas todo o resto da missão foi um sucesso!
É também a data de aniversário de João Barreiros, escritor de ficção científica português (José de Barros). Nasceu em 1952.
Ainda na área das artes, é também o aniversário de Fatboy Slim, músico britânico; Dean Cain, que desempenhou o papel de Superhomem durante alguns anos; e Wesley Snipes, outro actor conhecido pelos filmes de acção.
Pelos vistos em alguns países é também o dia nacional do Orgasmo. Gostava de saber era porquê…
E, por último, mas bem mais importante que todas as outras juntas, tem sido o dia dos meus anos nos últimos 31 anos já ![]()
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O que perguntar a um ET?
Numa das mailing lists de astronomia que subscrevo, a AstroPT, surgem às vezes umas questões curiosas, nem sempre sobre coisas directamente relacionadas com a Astronomia.
Hoje, por exemplo, o desafio foi o de dizer o que se perguntaria a um ET (caso ele percebesse português claro).
Uma das primeiras respostas foi “Como te chamas?”
É também daquelas perguntas que não é preciso saber português para perceber. A maioria das raças humanas compreende de forma intrínseca algumas perguntas básicas, mesmo que transmitidas apenas por gestos ou sons.
A identificação de quem connosco comunica é uma dessas perguntas - o célebre movimento de bater no peito feito pelo Tarzan, seguindo-se o apontar o dedo para a Jane para saber o dela é um bom exemplo.
Claro que uma raça completamente alienígena poderia nem sequer reconhecer estes simples gestos “básicos”. Por exemplo, não nos servem de nada para perguntar o nome aos golfinhos ou aos cães
Outras perguntas mais ou menos importantes de se fazer, para além do nome, poderiam ser
(caso fosse ele a vir ter connosco)
- De onde vens?
- Seria interessante saber onde é que o SETI devia ter procurado melhor. Infelizmente, a julgar pelos filmes, a resposta em 99% dos casos é um braço esticado a apontar para o céu - muito esclarecedor…
- Como chegaste aqui?
- Tentar pelo menos aprender alguma coisa sobre as viagens interplanetárias. Foi ele que fez o caminho todo ou ele é o tetratetratetraneto do capitão original do veículo que o transportou?
- Tens fome? Queres que te faça um lanche?
- Acho que se um porco me oferecesse um lanche, eu não era capaz de o comer depois. Por isso mais vale prevenir e ir logo abusando do charme
(caso fôssemos nós a ir ter com ele, no seu planeta ou lá onde ele estivesse)
- Que fazes?
- Esta pergunta é muito ampla e pode dar origem a várias respostas úteis: Quem é este indivíduo na sua sociedade? Estamos a falar com o rei, com um barbeiro ou um mendigo? De que forma se ocupa no seu dia a dia? Passa o dia a trabalhar ou em casa a escrever posts no seu blog?
- Conheces outros seres inteligentes, diferentes de vocês?
- Ok, já sabemos que não estamos sozinhos. Mas será que dá para aproveitar a embalagem e conhecer logo uma série de outras raças de ETs de uma assentada?
- Tens fome? Queres provar do meu lanche?
- Porque não ser simpático? Espero é que ele não apanhe uma overdose de comida alienígena…
Mas acho que logo depois do nome a pergunta seguinte provavelmente seria:
Oh pá, onde é que aprendeste a falar português? ![]()
publicado em Astronomia, Opiniões pessoais | 0 Comentários
Transístores em papel
Uma equipa de investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa produziu os primeiros transístores em papel.
O conceito é simples - em vez de usar silício como isolante ou dieléctrico usaram papel. As vantagens são várias, nomeadamente o mais baixo custo de produção e a maior facilidade em reciclar o material. Pelo que percebi estes transístores não são tão eficientes como os actuais, mas são o bastante para as aplicações mais corriqueiras dos dias de hoje.
É mais um belo exemplo para mostrar que neste país se consegue fazer investigação e não é só lá de fora que vêm as novidades.
Eu até já estou a imaginar - à semelhança dos ecrãs finos que já existem hoje em dia e que se enrolam e tudo, podemos vir a ter jornais de papel autêntico em que se carrega o cartão com as notícias do dia e o jornal mostra o novo texto, actualizado. Em vez de se comprar um jornal todos os dias faz-se só download para um cartão de memória e reutiliza-se o mesmo jornal. Ou então computadores feitos de cartão, mais leves e fáceis de transportar (mas de estragar também - para mim não servia :-P)
Seja como for, a equipa está toda de parabéns.
Podem ler mais sobre isto aqui, aqui, ou no comunicado oficial da Universidade.
publicado em Portugal, ciência | 1 Comentário
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