Elogio a Iracema
Iracema!
Tanta gente que tem pena
de enfim te ver partir…
Digo-lhes eu Iracema,
que não há porque ter pena
porque tinhas mesmo de ir.
Longe vai a grande guerra no meio da qual nasceste;
e os tempos de moçoila e os bailes que dançaste;
E bem longe fica a terra onde tanto ano viveste;
Eu sou bem novo Iracema,
e pouco mais sei desses tempos
Que aquilo que me disseste:
Que Penela era diferente
que tinha muito mais gente
e também muita alegria.
E dos miúdos descalços
por ruas cobertas de palha
numa grande correria.
E aquilo que cantavam
à noite em grande festa
tu e as tuas amigas.
E os namoros escondidos
e os piropos que os rapazes
mandavam às raparigas.
E o que conheço de Angola,
e das viagens de barco
para essa terra distante
sei-o porque para lá foste
deixaste cá quase nada
levaste tudo o restante.
Lá, os teus filhos criaste
mais amigos arranjaste
e construíste outra vida.
Uma vida que o destino,
quis que ficasse para trás
mas não que fosse esquecida.
Pois mesmo ao regressar
sem nada para atestar
o que ficou para trás,
trouxeste maneiras de ser,
memórias para contar
aos netos e muito mais.
E se hoje sou quem sou
certamente que o devo
a meu pai e a minha mãe.
Mas, Iracema, te digo,
não tenho a menor dúvida
devo-o a ti também.
E no meio das memórias
de todas aquelas coisas
que um dia passei contigo
Sei que sabes, Iracema,
que é impossível não vir
memória de um bailarico.
Pois já velhinha, em Penela,
Vivendo outra vez sozinha
retomada a tua vida,
Volta e meia te lembravas
e arrastavas toda a gente
trauteando uma cantiga.
E voltando a quem tem pena
por enfim te ver partir:
A esses digo, Iracema,
que não te lembrem com pena
mas recordem os motivos
porque os fizeste sorrir.
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Já tenho idade para ter juízo
Hoje fui ver o espectáculo do Pedro Tochas - Já tenho idade para ter juízo. Ganhei um convite através de um passatempo da Frize e claro que tinha que lhe dar uso (ainda por cima sendo quem é).
Obviamente não vou estar aqui a contar o espectáculo. Quem quiser que vá ver que vale mesmo a pena. Além disso, muitas das coisas que tiveram piada para mim não terão para outros ou não entrarão em mais nenhum espectáculo.
Mas duma coisa gostei particularmente - fiquei com mais uma história para contar. E a pista sobre qual é está aqui ao lado. Quem quiser saber a história, é só ir ver o espectáculo
Ele vai estar cá no Porto ainda dias 3 e 4, mas vai correr outras cidades também.
E quem chegar ao fim da peça, perceber a referência, e achar que eu já tenho é idade para ter juízo… se isso vai lá por idades, serei criançola para sempre
Já agora, por falar em teatro, estreia amanhã (ou é já hoje?) a semana de Teatro Cómico da Maia. Todos os anos estou lá batidinho em pelo menos um espectáculo (mesmo sem ser por convite). Apareçam, vão gostar certamente e dar essa noite por bem passada. E o bilhete só custa 2,5€, é dinheiro muito bem gasto!
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A vida de trás para a frente
Há dias mandaram-me um email de que hoje me recordei por outros motivos. Basicamente apresenta a visão do autor do que seria viver a vida de trás para a frente. Não sei se o autor do texto é mesmo Woody Allen ou não, mas lá que é divertido é:
A minha próxima vida de Woody Allen
Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba como um orgasmo! I rest my case.
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