28 Julho 2009

Elogio a Iracema

Iracema!
Tanta gente que tem pena
de enfim te ver partir…
Digo-lhes eu Iracema,
que não há porque ter pena
porque tinhas mesmo de ir.

Longe vai a grande guerra no meio da qual nasceste;
e os tempos de moçoila e os bailes que dançaste;
E bem longe fica a terra onde tanto ano viveste;
Eu sou bem novo Iracema,
e pouco mais sei desses tempos
Que aquilo que me disseste:

Que Penela era diferente
que tinha muito mais gente
e também muita alegria.
E dos miúdos descalços
por ruas cobertas de palha
numa grande correria.

E aquilo que cantavam
à noite em grande festa
tu e as tuas amigas.
E os namoros escondidos
e os piropos que os rapazes
mandavam às raparigas.

E o que conheço de Angola,
e das viagens de barco
para essa terra distante
sei-o porque para lá foste
deixaste cá quase nada
levaste tudo o restante.

Lá, os teus filhos criaste
mais amigos arranjaste
e construíste outra vida.
Uma vida que o destino,
quis que ficasse para trás
mas não que fosse esquecida.

Pois mesmo ao regressar
sem nada para atestar
o que ficou para trás,
trouxeste maneiras de ser,
memórias para contar
aos netos e muito mais.

E se hoje sou quem sou
certamente que o devo
a meu pai e a minha mãe.
Mas, Iracema, te digo,
não tenho a menor dúvida
devo-o a ti também.

E no meio das memórias
de todas aquelas coisas
que um dia passei contigo
Sei que sabes, Iracema,
que é impossível não vir
memória de um bailarico.

Pois já velhinha, em Penela,
Vivendo outra vez sozinha
retomada a tua vida,
Volta e meia te lembravas
e arrastavas toda a gente
trauteando uma cantiga.

E voltando a quem tem pena
por enfim te ver partir:
A esses digo, Iracema,
que não te lembrem com pena
mas recordem os motivos
porque os fizeste sorrir.

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3 Outubro 2008

Já tenho idade para ter juízo

Hoje fui ver o espectáculo do Pedro Tochas - Já tenho idade para ter juízo. Ganhei um convite através de um passatempo da Frize e claro que tinha que lhe dar uso (ainda por cima sendo quem é).

Obviamente não vou estar aqui a contar o espectáculo. Quem quiser que vá ver que vale mesmo a pena.  Além disso, muitas das coisas que tiveram piada para mim não terão para outros ou não entrarão em mais nenhum espectáculo.

Uma história para contar

Uma história para contar

Mas duma coisa gostei particularmente - fiquei com mais uma história para contar. E a pista sobre qual é está aqui ao lado. Quem quiser saber a história, é só ir ver o espectáculo ;-) Ele vai estar cá no Porto ainda dias 3 e 4, mas vai correr outras cidades também.

E quem chegar ao fim da peça, perceber a referência, e achar que eu já tenho é idade para ter juízo… se isso vai lá por idades, serei criançola para sempre :-)

Já agora, por falar em teatro, estreia amanhã (ou é já hoje?) a semana de Teatro Cómico da Maia. Todos os anos estou lá batidinho em pelo menos um espectáculo (mesmo sem ser por convite).  Apareçam, vão gostar certamente e dar essa noite por bem passada. E o bilhete só custa 2,5€, é dinheiro muito bem gasto!

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17 Julho 2008

A vida de trás para a frente

Há dias mandaram-me um email de que hoje me recordei por outros motivos. Basicamente apresenta a visão do autor do que seria viver a vida de trás para a frente. Não sei se o autor do texto é mesmo Woody Allen ou não, mas lá que é divertido é:

A minha próxima vida de Woody Allen

Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba como um orgasmo! I rest my case.

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