Fugir da greve
Já há muito tempo que não escrevo neste espaço. Já há algum que ando para o retomar. Hoje até me tinha decidido a fazê-lo, mas nunca pensei que o motivo fosse ser este.
NOTA: antes de continuar, podem querer acompanhar a leitura deste post com o mapa do metro de Londres.
Como alguns saberão, estou a passar férias em Londres. Tinha tudo planeado, fiquei perto de Willesden Junction, apanho o metro para o centro todos os dias e pronto. Hoje de manhã, fui primeiro a King’s Cross levantar os bilhetes de comboio da minha próxima jornada. E, ao sair do metro, reparo num cartaz a anunciar greve dos maquinistas a partir de hoje, às 19h00. Ora que sorte, tinha logo que calhar na semana em que eu ando por cá. Pior! Só termina 6ª feira de manhã e eu já começo a ver o meu transporte até ao comboio muito mal parado (e ele parte às 8h00!)
Pois bem, não há de ser nada, penso eu. Vamos mas é primeiro tratar do dia de hoje e ver como as coisas correm. Pois bem, o dia de hoje acabou por ser passado quase exclusivamente no Zoo - ia até justamente escrever sobre isso mas fica para outra altura. O que é um facto é que às 16h30 eu já estava despachado. Pensei “Bom, vou até Baker Street que me lembro de ter visto por lá umas lojas de electrónica pois preciso de comprar um adaptador para tomada” (e entre 2 baterias de máquina fotográfica descarregadas, uma bateria de portátil com 20 minutos, um leitor de MP3 descarregado e um telemóvel a começar a dar sinal, fazia-me mesmo muita falta!). Se bem o pensei, melhor o fiz. Às 17h00 estava despachado e de volta ao metro, quando pensei “Ainda é cedo, não sei se vou conseguir transporte amanhã para a baixa, vou aproveitar e dar um saltinho até à TowerBridge, continuo depois pela Circle line e apanho a Bakerloo line para casa no Embankement e estou no metro às 18h00, mesmo a tempo de fugir à greve”. E lá fui eu todo lampeiro.
À saída de Tower Hill, vejo um aviso que informa os utentes do metro de que há um incêndio na estação seguinte e de que o serviço foi interrompido justamente no sentido que eu queria seguir depois. “Não há problema”, pensei, “volto depois em sentido contrário e apanho a Bakerloo novamente em Baker Street - ia apanhar era um metro bastante cheio. E lá continuei eu até à Ponte. Ao chegar à ponte lembrei-me de consultar o mapa do metro a ver que outras alternativas tinha. Nem de propósito, na margem Sul, passa a Jubilee line que tem justamente ligação com a Bakerloo e muito perto do seu início. Além disso, ao contrário do resto da cidade, em que nunca percebo direito para que lado é o Norte e o Sul, porque nunca se vê o Sol por trás das nuvens, ali tinha o rio mesmo ao lado, não havia dúvidas sobre a direcção a seguir.
Assim que decidi por esta ideia em prática apercebi-me de um fenómeno muito interessante - imaginem um dia em que toda a gente sai mais cedo do trabalho porque sabe que a partir das 18h00-18h30 deixa de haver transporte. Em que, ainda por cima, há um incêndio numa estação e toda a gente procura a estação mais próxima como alternativa. Resultado, formou-se um autêntico carreiro de pessoas, qual carreiro de formigas, que seguia desde a ponte até à estação. Assim não tem como enganar, não é? Se não fosse a pressa e o facto de ter enchido o cartão até à última foto no Zoo, ainda dava umas boas fotografias… ![]()
Pois lá cheguei eu, depois de muitas escadarias e túneis (não gosto nada deste metro), lá cheguei a um cais de embarque onde até já estava um metro parado - tão cheio de gente que as pessoas que acabavam de chegar (eu incluído) desistiram de entrar. Até porque nos placards avisava que o próximo metro era daí a um minuto. Portanto esperei, lá apanhei o metro seguinte e saí em Waterloo. Aí era ver quem mais corria para chegar à ligação seguinte. Pois, justamente quando estava a chegar ao último túnel, eram quase 18h00 (ainda dentro do limite que me tinha imposto, pensei eu) está uma funcionária a fechar o portão - “Não há mais metros nesta linha hoje”, diz ela. Havia 2 pessoas à minha frente, senti-me como se fosse numa grande correria e, de repente, me tivessem fechado a porta na cara. Uma senhora perguntou que alternativa tinha para ir não sei para onde. “E para Wilesden Junction?” pergunto eu. Ela responde-me com um sorriso (daqueles mesmo afáveis, de pessoas que estão a tentar ajudar, e que acalmam a mais desesperada das pessoas, ainda bem que ainda há pessoas assim) e pergunta-me pelo tipo de bilhete. Como tenho um passe semanal, ela diz-me que posso apanhar um comboio, é só subir à estação, mais acima. Lá vou eu, no meio da carneirada - chego à estação de comboio, um enorme placard, mais de uma dúzia de linhas, com todas as paragens de cada comboio. Procuro Wilesden Junction mas não vejo em nenhum… como já cheguei à conclusão que não vale a pena fazer este tipo de perguntas ao cidadão comum, procuro o posto de informações e venda de bilhetes e repito a pergunta. Responde-me o senhor (depois de eu lhe ter pedido para falar mais devagar, porque ele despejou os nomes como se eu fosse dali e tivesse obrigação de conhecer cada canto de Londres) que tinha duas hipóteses - ir por Clapham Junction e depois para Wilesden ou então por Euston. Aí lembrei-me de ter visto Euston no mapa e de saber que era o término de uma das linhas do Overground que passa justamente por Wiledden Junction! “Esse serve” - digo eu -”Mas qual é o comboio que tenho que apanhar para lá chegar?”. A “Northern line“, responde-me. Ora, eu que de manhã tinha justamente apanhado a “Northern” para chegar a King’s Cross (ainda só tinha sido nessa manhã?) fiz imediatamente a ligação com as linhas de metro… e ia-me a preparar para retorquir que já não havia metro, quando me lembrei que só a Bakerloo tinha fechado, por enquanto. Agradeci, e lá desci as escada, desta vez literalmente a correr, a ver se ainda chegava a tempo, antes que essa linha fechasse também. Para minha grande alegria (e das centenas de pessoas que ali estavam à espera no cais de embarque), chegou um metro, quase vazio. Meti-me nele, saí em Euston, corri para o Overground e lá fiz a viagem normalmente até Wilesden Junction. Nos 200m que faço até chegar a casa lá vinha alguém ao telemóvel, a dizer num português do Brasil - “Já fecharam a Bakerloo? E agora, como é que eu faço?”
Vão ser 3 dias muito intensos, os próximos, já estou mesmo a ver. Mas, pelo menos, já comecei a conhecer algumas das alternativas - olhando agora para o mapa, apanhar o Overground daqui até Clapham Junction e depois meter-me num comboio, até que é uma boa forma de chegar daqui até à baixa, por exemplo. É que começo a achar que nunca mais ponho pés naqueles túneis tenebrosos do metro - afinal há males que vêm por bem
Mas a experiência valeu, sobretudo, pela possibilidade de me tornar mais uma das muitas formiguinhas de Londres - afinal, aquilo que eu mais gosto, quando vou conhecer uma nova cidade, é perceber um pouco como ela funciona e integrar-me no seu dia a dia.
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A nossa vida na net
Ontem estive em casa dos meus pais e o meu primo fez-nos uma visita. A dada altura, estávamos a falar já nem me lembro de quê e surgiu uma dúvida. O meu irmão, por acaso estava com o portátil ao lado e respondeu-a de imediato.
Hoje em dia a net permite-nos chegar a todo o lado e responder a perguntas quase em tempo real. E isso é muito bom. Mas também gera algumas surpresas. Por exemplo, estávamos justamente a ter esta conversa quando o meu primo comentou que não se pode saber tudo - com o nome dele só se ia conseguir chegar à página da FEUP com a sua ficha de aluno. O meu irmão decidiu fazer o teste: digitou o nome dele no Google e eis que surge uma página com 10 resultados! Era a lista de professores do IPB, onde ele trabalha, com a distribuição de serviço; eram as páginas da FEUP; a tese de mestrado, na biblioteca nacional; a edição do Diário da República onde foi publicado o contrato dele. Em menos de 5 min, se eu não soubesse destas coisas, teria descoberto uma série de coisas da vida dele. E isto apenas com o nome completo… se fizesse pesquisas só com o primeiro e último nomes, por exemplo, quem sabe o que conseguiria descobrir? Ele ficou muito supreendido.
Isto tudo porque, há pouco, me aconteceu uma coisa deveras engraçada: descobri uma referência a mim na rádio. A bem dizer da verdade, a referência não era à minha pessoa, o meu nome nem sequer era mencionado.
Pelos vistos na Antena 1, de 2ª a 6ª feira, há uma rubrica chamada “Janela Indiscreta”. E, em paralelo a essa rubrica, os textos que lá passam vão parar a um blog. Ora, e foi justamente numa das minhas muitas divagações pela net que, já nem sei bem como, me deparei com um artigo sobre o blog de finanças pessoais do Pedro Pais onde, como já aqui referi, vou escrevendo uns artigos de vez em quando. E, curiosamente, o artigo da capa do blog nessa semana, era justamente meu
Dele se diz que:
… intitula “Nós e a Crise” e é um levantamento de factos, e uma análise abrangente, da forma como este momento financeiro internacional nos afecta já no dia a dia, seja no aumento dos preços, na queda das bolsas ou no mercado imobiliário.
(a ênfase é minha) Permitam-me uns segundos para me encher de orgulho!
Para além disto, o comentário roda todo à volta do blog do Pedro e fala sobre o Pedro naturalmente. A crítica parece-me realmente bem feita a todo o site e acho que o PRD conseguiu descrever o que a maior parte das pessoas que se habituaram a frequentar o blog sentem - é um site, mais do que um blog, e está cheio de serviços úteis a cada um.O que acho mais piada, e até tem a ver com este post, é que o artigo fala do próprio Pedro - quem é, o que faz, etc. Não sei se o Pedro foi avisado disto ou não, mas nem precisava - para o melhor e para o pior, deixou um rasto de si próprio na net, para os outros descobrirem quem é.
Numa altura em que cada vez mais as coisas se descobrem rapidamente online, até que ponto a nossa vida se pode definir por aquilo que lá vai parar? À data em que escrevo estas linhas, uma pesquisa no Google por pauloaguia, o nick que costumo usar para me identificar (e que acho que não é usado por mais ninguém), dá mais de 80 000 páginas! Uma análise rápida dos resultados, trouxe à memória sites que já nem me lembrava de ter visitado ou grupos a que já nem me lembrava que pertenci. E lentamente, dia após dia, ano após ano, vamos deixando estas várias pegadas espalhadas pela net… que podem dizer muito sobrem quem já fomos… mas não necessariamente sobre quem somos hoje.
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Efemérides
Faz hoje 37 anos que o primeiro Rover foi conduzido na Lua. Os austronautas da Apollo 15 tiveram o privilégio de ser os primeiros a conduzir um veículo motorizado na Lua… quer dizer, de corpo inteiro, há por aí muita gente que conduz com a cabeça na Lua :-/
No também no dia de hoje, há mais de 2000 anos atrás que se travou a batalha de Alexandria. Marco António conseguiu repelir as forças romanas e impedir a invasão do Egipto. Infelizmente, acabaria por cair alguns dias depois.
Há precisamente 9 anos atrás, a NASA provocava a queda da sonda Lunar Prospector na Lua, para tentar descobrir gelo na Lua. A parte final não teve o resultado desejado (ela despenhou-se sim, mas não foram detectados vestígios de gelo) mas todo o resto da missão foi um sucesso!
É também a data de aniversário de João Barreiros, escritor de ficção científica português (José de Barros). Nasceu em 1952.
Ainda na área das artes, é também o aniversário de Fatboy Slim, músico britânico; Dean Cain, que desempenhou o papel de Superhomem durante alguns anos; e Wesley Snipes, outro actor conhecido pelos filmes de acção.
Pelos vistos em alguns países é também o dia nacional do Orgasmo. Gostava de saber era porquê…
E, por último, mas bem mais importante que todas as outras juntas, tem sido o dia dos meus anos nos últimos 31 anos já ![]()
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100 dádivas
Há dias recebi um SMS do Instituto do Sangue a avisar-me das alterações que tinham feito ao seu portal (cujo endereço, curiosamente, não acaba em .pt).
As novidades têm a ver com o facto de agora se poder consultar o histórico pessoal de dádivas e mesmo marcar a próxima dádiva. Claro que isto só se aplica a quem já tem o cartão de dador, mas isso é simples - basta dar a primeira vez
O que achei mais curioso e marcante foi a página, qual “hall of fame”, que tem a lista com os dadores que já fizeram mais de 100 dádivas. Não deixa de ser um número impressionante, principalmente se se tiver em consideração que só se pode dar sangue 3 ou 4 vezes por ano.
Como de costume, pus-me aqui a fazer contas: a dádiva de sangue é relativamente rápida, leva cerca de 5 minutos. Mas todo o processo, desde o atendimento, a consulta médica, a dádiva propriamente dita e o lanche no final leva cerca de meia hora. Ou seja, estes homens deram 50h da sua vida (o que são 50h? Dois dias, pouco mais) para ajudar uma centena de pessoas que receberam o seu sangue.
Às vezes voluntariamo-nos para causas que nos ocupam dias ou semanas e não conseguimos chegar a tanta gente. Às vezes gastamos horas a remoer em como nos sentir melhor e nem sequer a nós próprios nos conseguimos ajudar. E estes homens, com tão pouco tempo dispendido alteram a vida de tanta gente.
Eu, na minha conta já vou com 14 dádivas. E só tenho pena de ter ido a Moçambique a trabalho há uns meses porque vou estar impedido de o fazer durante algum tempo, para evitar o eventual contágio de doenças tropicais. Mas assim que o meu prazo de “quarentena” passar faço tenções de voltar. E desta vez com um novo objectivo de vida - passar um dia a figurar também naquela página. Ainda tenho 30, acho que ainda consigo lá chegar
Já agora, para quem ler isto, se é saudável e nunca deu sangue, não há como agora para começar. Na página do instituto, do lado direito, há um mapa. Basta clicar no seu distrito para procurar a data da próxima visita de uma Brigada de Recolha de sangue à sua vizinhança e marcar um alarme no telemóvel para não se esquecer. Ou, em alternativa, passar por um dos centros regionais no Porto, Coimbra ou Lisboa ou a um hospital onde façam recolha de sangue.
Finalmente, se não há brigadas que se desloquem à sua zona, pergunte no trabalho ou aos vizinhos se há mais interessados. Se houver um número suficiente de pessoas, mande um mail ao IPS e peça para mandarem aí uma brigada - não custa nada… e pode fazer tanto!
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Ciência Viva no Verão
E cá está o programa deste ano de Ciência no Verão.
Há sessões de astronomia, biologia, engenharia, geologia e visitas a faróis. Tudo grátis!
Mas vários têm um número de vagas limitado, e em alguns casos já estão esgotadas (ainda não foi desta que consegui ir visitar os subterrâneos do Porto em Arca d’Água, talvez para o ano). Por isso, se quiserem marcar uma visita ao Jardim Botânico, ao farol de Leça, ou fazer um passeio de dia inteiro pelas minas de Estanho do Tâmega, é melhor apressarem-se a marcar.
Só no distrito do Porto estão previstas mais de 400 acções!
Por mim já marquei uma visita ao farol de Leça e ao Jardim Botânico para uma palestra sobre flores e estrelas
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