A nossa vida na net
Ontem estive em casa dos meus pais e o meu primo fez-nos uma visita. A dada altura, estávamos a falar já nem me lembro de quê e surgiu uma dúvida. O meu irmão, por acaso estava com o portátil ao lado e respondeu-a de imediato.
Hoje em dia a net permite-nos chegar a todo o lado e responder a perguntas quase em tempo real. E isso é muito bom. Mas também gera algumas surpresas. Por exemplo, estávamos justamente a ter esta conversa quando o meu primo comentou que não se pode saber tudo - com o nome dele só se ia conseguir chegar à página da FEUP com a sua ficha de aluno. O meu irmão decidiu fazer o teste: digitou o nome dele no Google e eis que surge uma página com 10 resultados! Era a lista de professores do IPB, onde ele trabalha, com a distribuição de serviço; eram as páginas da FEUP; a tese de mestrado, na biblioteca nacional; a edição do Diário da República onde foi publicado o contrato dele. Em menos de 5 min, se eu não soubesse destas coisas, teria descoberto uma série de coisas da vida dele. E isto apenas com o nome completo… se fizesse pesquisas só com o primeiro e último nomes, por exemplo, quem sabe o que conseguiria descobrir? Ele ficou muito supreendido.
Isto tudo porque, há pouco, me aconteceu uma coisa deveras engraçada: descobri uma referência a mim na rádio. A bem dizer da verdade, a referência não era à minha pessoa, o meu nome nem sequer era mencionado.
Pelos vistos na Antena 1, de 2ª a 6ª feira, há uma rubrica chamada “Janela Indiscreta”. E, em paralelo a essa rubrica, os textos que lá passam vão parar a um blog. Ora, e foi justamente numa das minhas muitas divagações pela net que, já nem sei bem como, me deparei com um artigo sobre o blog de finanças pessoais do Pedro Pais onde, como já aqui referi, vou escrevendo uns artigos de vez em quando. E, curiosamente, o artigo da capa do blog nessa semana, era justamente meu
Dele se diz que:
… intitula “Nós e a Crise” e é um levantamento de factos, e uma análise abrangente, da forma como este momento financeiro internacional nos afecta já no dia a dia, seja no aumento dos preços, na queda das bolsas ou no mercado imobiliário.
(a ênfase é minha) Permitam-me uns segundos para me encher de orgulho!
Para além disto, o comentário roda todo à volta do blog do Pedro e fala sobre o Pedro naturalmente. A crítica parece-me realmente bem feita a todo o site e acho que o PRD conseguiu descrever o que a maior parte das pessoas que se habituaram a frequentar o blog sentem - é um site, mais do que um blog, e está cheio de serviços úteis a cada um.O que acho mais piada, e até tem a ver com este post, é que o artigo fala do próprio Pedro - quem é, o que faz, etc. Não sei se o Pedro foi avisado disto ou não, mas nem precisava - para o melhor e para o pior, deixou um rasto de si próprio na net, para os outros descobrirem quem é.
Numa altura em que cada vez mais as coisas se descobrem rapidamente online, até que ponto a nossa vida se pode definir por aquilo que lá vai parar? À data em que escrevo estas linhas, uma pesquisa no Google por pauloaguia, o nick que costumo usar para me identificar (e que acho que não é usado por mais ninguém), dá mais de 80 000 páginas! Uma análise rápida dos resultados, trouxe à memória sites que já nem me lembrava de ter visitado ou grupos a que já nem me lembrava que pertenci. E lentamente, dia após dia, ano após ano, vamos deixando estas várias pegadas espalhadas pela net… que podem dizer muito sobrem quem já fomos… mas não necessariamente sobre quem somos hoje.
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Começou o teatro!
A semana de Teatro Cómico da Maia começou a noite passada. E começou da melhor forma
Comecei a ficar bem impressionado mesmo antes de lá chegar. Aproveitei o facto de ter um autocarro à porta de casa que passa junto ao Fórum da Maia e lá fui eu. Pelo caminho iam entrando pessoas que nitidamente se dirigiam para lá também. Gosto de ver as pessoas a usar os transportes públicos e, àquela hora, realmente não há muita razão para não os usar, a viagem foi sempre a abrir.
Depois do bilhete comprado, perguntei na bilheteira: “Se eu só viesse ver mais um espectáculo esta semana, qual é que me aconselhava?”. Ele olhou para o programa e respondeu - “O de Domingo. Se só vier ver mais um esta semana, digo-lhe para vir Domingo… mas para a semana há mais para ver ;-)”. Ri-me e segui.
A espera da minha irmã foi facilitada pelo facto de entretanto ter começado o espectáculo de rua. Duas palhaças (daquelas que não têm nariz vermelho nem a cara pintada, mas fazem malabarismos e palhaçadas na mesma), uma italiana e outra espanhola, encantaram um público que se instalou no pequeno anfiteatro ao ar livre, do lado de fora do fórum. A interacção com o público é o forte deste tipo de espectáculos e aqui também não faltou -algumas pessoas foram chamadas ao palco a participar e uma miudita teve direito a quase meia hora de fama. O único defeito eram os degraus do anfiteatro, onde as pessoas estavam sentadas, estarem completamente gelados. Aliás, as actrizes estavam com pouco mais que uma camisa de dormir, como não congelaram foi um milagre. As noites de Outono ou são chuvosas ou frias e como não se via um vestígio de núvem no céu…

Pranto de Maria Parda
Às 22h30 o espectáculo principal finalmente começou. Fomos presenteados por uma belíssima actuação da Maria do Céu Guerra, no papel da personagem Maria Parda, uma bêbeda de longa data que corre Lisboa de lés a lés à procura de quem lhe dê vinho e, no fim, acaba a escrever o seu testamento. Inicialmente achei a peça um pouco dramática de mais para este tipo de festival, mas a segunda parte, pontuada por uma série de notas de rodapé, deu lugar a várias gargalhadas. Mas a melhor parte foi o que veio a seguir: no fim da peça, a Maria do Céu ficou lá, a falar connosco. Do palco foi respondendo às perguntas que o público lhe colocava. Falou-se de tudo, desde o estado do teatro em Portugal, à carreira da Maria do Céu, passando pelas telenovels, televisão, cinema, enfim de tudo um pouco. E aquela mulher sabe cativar um público, mesmo não estando a representar - havia várias pessoas completamente deleitadas a ouvi-la falar. A peça deve ter acabado pelas 23h45, saímos de lá já passava de 00h30!
Bem, estive aqui a olhar para o programa a tentar decidir o que ainda quero ver este ano. A peça de Sábado parece interessante, na bilheteira recomendaram-me Domingo… acho que ainda vou mas é os dias todos desta vez
Bendita Câmara da Maia por estas iniciativas.
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SPORE - quão perto da realidade?

SPORE
Tenho andado meio ocupado, a jogar o jogo SPORE que saiu há alguns dias. Sinteticamente, o jogo começa com a ideia de que a vida foi trazida para um planeta através de um cometa. É nossa missão fazer evoluir essa espécie desde uma forma primitiva inicial, quase celular, através de vários estágios e chegar ao nível da exploração espacial. Para além do divertimento, e de todos os pormenores sobre a jogabilidade, gráficos e essas coisas mais habituais nas críticas a jogos, e como ultimamente tenho tido um banho de mails do AstroPT sobre vida nos outras planetas e evolução, aproveitei para olhar para o jogo de um ponto de vista mais crítico, verificando até que ponto é comparável à realidade tal como a conhecemos.
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Google Chrome
A Google lançou um browser: o Chrome. Estive a fazer as primeiras experiências. As primeiras conclusões:
- Foi extremamente rápido a arrancar
- O sistema de tabs é idêntico ao do Opera, assim como a página que surge quando se cria um novo tab (inspirada no Speed Dial, sem dúvida)
- a barra de endereços é extremamente funcional. Não apenas, tal como o Opera, faz pesquisa no texto de páginas onde já estive, mas procura também automaticamente na net. Se começarmos a digitar um endereço extremamente popular é provável que ele apareça numa das sugestões de endereços, mesmo que nunca lá tenhamos ido antes.
- O layout é simples e funcional. A “carapaça” de browser passa quase despercebida.
- o facto de lançar um processo independente para cada browser. Ao fim de alguns tabs tenho uma quantidade impressionante de memória ocupada por vários processo chrome.exe. Mas é verdade que cada um deles individualmente não ocupa assim tanto como isso (cerca de 10-15MB)
- Já me crashou 2 vezes. Isto para mim é normal numa versão Beta, não fosse o facto de eles afirmarem que, por serem processos independentes, cada tab devia crashar sem afectar o browser como um todo. Até agora só me crashou o browser como um todo
- Ainda está muito longe de passar o teste do Acid3. O que significa que há ainda muita coisa dos standards que não está implementada (mas vai bem à frente do IE, isso sem dúvida). Pelo menos o Acid2 passa com distinção!
- Aquele label no canto inferior esquerdo enquanto uma página esta a carregar é subtil e discreto. Mas irrita-me o facto de ele parecer fugir quando lhe passo o rato por cima, porque é que não há de ficar dentro da janela?
- Parece-me ter alguns problemas com este site. Volta e meia aparecem-me uns erros de PHP que não vejo no Opera, nem por nada…
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O que perguntar a um ET?
Numa das mailing lists de astronomia que subscrevo, a AstroPT, surgem às vezes umas questões curiosas, nem sempre sobre coisas directamente relacionadas com a Astronomia.
Hoje, por exemplo, o desafio foi o de dizer o que se perguntaria a um ET (caso ele percebesse português claro).
Uma das primeiras respostas foi “Como te chamas?”
É também daquelas perguntas que não é preciso saber português para perceber. A maioria das raças humanas compreende de forma intrínseca algumas perguntas básicas, mesmo que transmitidas apenas por gestos ou sons.
A identificação de quem connosco comunica é uma dessas perguntas - o célebre movimento de bater no peito feito pelo Tarzan, seguindo-se o apontar o dedo para a Jane para saber o dela é um bom exemplo.
Claro que uma raça completamente alienígena poderia nem sequer reconhecer estes simples gestos “básicos”. Por exemplo, não nos servem de nada para perguntar o nome aos golfinhos ou aos cães
Outras perguntas mais ou menos importantes de se fazer, para além do nome, poderiam ser
(caso fosse ele a vir ter connosco)
- De onde vens?
- Seria interessante saber onde é que o SETI devia ter procurado melhor. Infelizmente, a julgar pelos filmes, a resposta em 99% dos casos é um braço esticado a apontar para o céu - muito esclarecedor…
- Como chegaste aqui?
- Tentar pelo menos aprender alguma coisa sobre as viagens interplanetárias. Foi ele que fez o caminho todo ou ele é o tetratetratetraneto do capitão original do veículo que o transportou?
- Tens fome? Queres que te faça um lanche?
- Acho que se um porco me oferecesse um lanche, eu não era capaz de o comer depois. Por isso mais vale prevenir e ir logo abusando do charme
(caso fôssemos nós a ir ter com ele, no seu planeta ou lá onde ele estivesse)
- Que fazes?
- Esta pergunta é muito ampla e pode dar origem a várias respostas úteis: Quem é este indivíduo na sua sociedade? Estamos a falar com o rei, com um barbeiro ou um mendigo? De que forma se ocupa no seu dia a dia? Passa o dia a trabalhar ou em casa a escrever posts no seu blog?
- Conheces outros seres inteligentes, diferentes de vocês?
- Ok, já sabemos que não estamos sozinhos. Mas será que dá para aproveitar a embalagem e conhecer logo uma série de outras raças de ETs de uma assentada?
- Tens fome? Queres provar do meu lanche?
- Porque não ser simpático? Espero é que ele não apanhe uma overdose de comida alienígena…
Mas acho que logo depois do nome a pergunta seguinte provavelmente seria:
Oh pá, onde é que aprendeste a falar português? ![]()
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