9 Junho 2009

Fugir da greve

Já há muito tempo que não escrevo neste espaço. Já há algum que ando para o retomar. Hoje até me tinha decidido a fazê-lo, mas nunca pensei que o motivo fosse ser este.

NOTA: antes de continuar, podem querer acompanhar a leitura deste post com o mapa do metro de Londres.

Como alguns saberão, estou a passar férias em Londres. Tinha tudo planeado, fiquei perto de Willesden Junction, apanho o metro para o centro todos os dias e pronto. Hoje de manhã, fui primeiro a King’s Cross levantar os bilhetes de comboio da minha próxima jornada. E, ao sair do metro, reparo num cartaz a anunciar greve dos maquinistas a partir de hoje, às 19h00. Ora que sorte, tinha logo que calhar na semana em que eu ando por cá. Pior! Só termina 6ª feira de manhã e eu já começo a ver o meu transporte até ao comboio muito mal parado (e ele parte às 8h00!)

Pois bem, não há de ser nada, penso eu. Vamos mas é primeiro tratar do dia de hoje e ver como as coisas correm. Pois bem, o dia de hoje acabou por ser passado quase exclusivamente no Zoo - ia até justamente escrever sobre isso mas fica para outra altura. O que é um facto é que às 16h30 eu já estava despachado. Pensei “Bom, vou até Baker Street que me lembro de ter visto por lá umas lojas de electrónica pois preciso de comprar um adaptador para tomada” (e entre 2 baterias de máquina fotográfica descarregadas, uma bateria de portátil com 20 minutos, um leitor de MP3 descarregado e um telemóvel a começar a dar sinal, fazia-me mesmo muita falta!). Se bem o pensei, melhor o fiz. Às 17h00 estava despachado e de volta ao metro, quando pensei “Ainda é cedo, não sei se vou conseguir transporte amanhã para a baixa, vou aproveitar e dar um saltinho até à TowerBridge, continuo depois pela Circle line e apanho a Bakerloo line para casa no Embankement e estou no metro às 18h00, mesmo a tempo de fugir à greve”. E lá fui eu todo lampeiro.

À saída de Tower Hill, vejo um aviso que informa os utentes do metro de que há um incêndio na estação seguinte e de que o serviço foi interrompido justamente no sentido que eu queria seguir depois. “Não há problema”, pensei, “volto depois em sentido contrário e apanho a Bakerloo novamente em Baker Street - ia apanhar era um metro bastante cheio. E lá continuei eu até à Ponte. Ao chegar à ponte lembrei-me de consultar o mapa do metro a ver que outras alternativas tinha. Nem de propósito, na margem Sul, passa a Jubilee line que tem justamente ligação com a Bakerloo e muito perto do seu início. Além disso, ao contrário do resto da cidade, em que nunca percebo direito para que lado é o Norte e o Sul, porque nunca se vê o Sol por trás das nuvens, ali tinha o rio mesmo ao lado, não havia dúvidas sobre a direcção a seguir.
Assim que decidi por esta ideia em prática apercebi-me de um fenómeno muito interessante - imaginem um dia em que toda a gente sai mais cedo do trabalho porque sabe que a partir das 18h00-18h30 deixa de haver transporte. Em que, ainda por cima, há um incêndio numa estação e toda a gente procura a estação mais próxima como alternativa. Resultado, formou-se um autêntico carreiro de pessoas, qual carreiro de formigas, que seguia desde a ponte até à estação. Assim não tem como enganar, não é? Se não fosse a pressa e o facto de ter enchido o cartão até à última foto no Zoo, ainda dava umas boas fotografias… :)
Pois lá cheguei eu, depois de muitas escadarias e túneis (não gosto nada deste metro), lá cheguei a um cais de embarque onde até já estava um metro parado - tão cheio de gente que as pessoas que acabavam de chegar (eu incluído) desistiram de entrar. Até porque nos placards avisava que o próximo metro era daí a um minuto. Portanto esperei, lá apanhei o metro seguinte e saí em Waterloo. Aí era ver quem mais corria para chegar à ligação seguinte. Pois, justamente quando estava a chegar ao último túnel, eram quase 18h00 (ainda dentro do limite que me tinha imposto, pensei eu) está uma funcionária a fechar o portão - “Não há mais metros nesta linha hoje”, diz ela. Havia 2 pessoas à minha frente, senti-me como se fosse numa grande correria e, de repente, me tivessem fechado a porta na cara. Uma senhora perguntou que alternativa tinha para ir não sei para onde. “E para Wilesden Junction?” pergunto eu. Ela responde-me com um sorriso (daqueles mesmo afáveis, de pessoas que estão a tentar ajudar, e que acalmam a mais desesperada das pessoas, ainda bem que ainda há pessoas assim) e pergunta-me pelo tipo de bilhete. Como tenho um passe semanal, ela diz-me que posso apanhar um comboio, é só subir à estação, mais acima. Lá vou eu, no meio da carneirada - chego à estação de comboio, um enorme placard, mais de uma dúzia de linhas, com todas as paragens de cada comboio. Procuro Wilesden Junction mas não vejo em nenhum… como já cheguei à conclusão que não vale a pena fazer este tipo de perguntas ao cidadão comum, procuro o posto de informações e venda de bilhetes e repito a pergunta. Responde-me o senhor (depois de eu lhe ter pedido para falar mais devagar, porque ele despejou os nomes como se eu fosse dali e tivesse obrigação de conhecer cada canto de Londres) que tinha duas hipóteses - ir por Clapham Junction e depois para Wilesden ou então por Euston. Aí lembrei-me de ter visto Euston no mapa e de saber que era o término de uma das linhas do Overground que passa justamente por Wiledden Junction! “Esse serve” - digo eu -”Mas qual é o comboio que tenho que apanhar para lá chegar?”. A “Northern line“, responde-me. Ora, eu que de manhã tinha justamente apanhado a “Northern” para chegar a King’s Cross (ainda só tinha sido nessa manhã?) fiz imediatamente a ligação com as linhas de metro… e ia-me a preparar para retorquir que já não havia metro, quando me lembrei que só a Bakerloo tinha fechado, por enquanto. Agradeci, e lá desci as escada, desta vez literalmente a correr, a ver se ainda chegava a tempo, antes que essa linha fechasse também. Para minha grande alegria (e das centenas de pessoas que ali estavam à espera no cais de embarque), chegou um metro, quase vazio. Meti-me nele, saí em Euston, corri para o Overground e lá fiz a viagem normalmente até Wilesden Junction. Nos 200m que faço até chegar a casa lá vinha alguém ao telemóvel, a dizer num português do Brasil - “Já fecharam a Bakerloo? E agora, como é que eu faço?” :)

Vão ser 3 dias muito intensos, os próximos, já estou mesmo a ver. Mas, pelo menos, já comecei a conhecer algumas das alternativas - olhando agora para o mapa, apanhar o Overground daqui até Clapham Junction e depois meter-me num comboio, até que é uma boa forma de chegar daqui até à baixa, por exemplo. É que começo a achar que nunca mais ponho pés naqueles túneis tenebrosos do metro - afinal há males que vêm por bem :D

Mas a experiência valeu, sobretudo, pela possibilidade de me tornar mais uma das muitas formiguinhas de Londres - afinal, aquilo que eu mais gosto, quando vou conhecer uma nova cidade, é perceber um pouco como ela funciona e integrar-me no seu dia a dia.

13 Outubro 2008

A nossa vida na net

Ontem estive em casa dos meus pais e o meu primo fez-nos uma visita. A dada altura, estávamos a falar já nem me lembro de quê e surgiu uma dúvida. O meu irmão, por acaso estava com o portátil ao lado e respondeu-a de imediato.

Hoje em dia a net permite-nos chegar a todo o lado e responder a perguntas quase em tempo real. E isso é muito bom. Mas também gera algumas surpresas. Por exemplo, estávamos justamente a ter esta conversa quando o meu primo comentou que não se pode saber tudo - com o nome dele só se ia conseguir chegar à página da FEUP com a sua ficha de aluno. O meu irmão decidiu fazer o teste: digitou o nome dele no Google e eis que surge uma página com 10 resultados! Era a lista de professores do IPB, onde ele trabalha, com a distribuição de serviço; eram as páginas da FEUP; a tese de mestrado, na biblioteca nacional; a edição do Diário da República onde foi publicado o contrato dele. Em menos de 5 min, se eu não soubesse destas coisas, teria descoberto uma série de coisas da vida dele. E isto apenas com o nome completo… se fizesse pesquisas só com o primeiro e último nomes, por exemplo, quem sabe o que conseguiria descobrir? Ele ficou muito supreendido.

Isto tudo porque, há pouco, me aconteceu uma coisa deveras engraçada: descobri uma referência a mim na rádio. A bem dizer da verdade, a referência não era à minha pessoa, o meu nome nem sequer era mencionado.

Pelos vistos na Antena 1, de 2ª a 6ª feira, há uma rubrica chamada “Janela Indiscreta”. E, em paralelo a essa rubrica, os textos que lá passam vão parar a um blog. Ora, e foi justamente numa das minhas muitas divagações pela net que, já nem sei bem como, me deparei com um artigo sobre o blog de finanças pessoais do Pedro Pais onde, como já aqui referi, vou escrevendo uns artigos de vez em quando. E, curiosamente, o artigo da capa do blog nessa semana, era justamente meu :-) Dele se diz que:

… intitula “Nós e a Crise” e é um levantamento de factos, e uma análise abrangente, da forma como este momento financeiro internacional nos afecta já no dia a dia, seja no aumento dos preços, na queda das bolsas ou no mercado imobiliário.

(a ênfase é minha) Permitam-me uns segundos para me encher de orgulho! :-)

Para além disto, o comentário roda todo à volta do blog do Pedro e fala sobre o Pedro naturalmente. A crítica parece-me realmente bem feita a todo o site e acho que o PRD conseguiu descrever o que a maior parte das pessoas que se habituaram a frequentar o blog sentem - é um site, mais do que um blog, e está cheio de serviços úteis a cada um.O que acho mais piada, e até tem a ver com este post, é que o artigo fala do próprio Pedro - quem é, o que faz, etc. Não sei se o Pedro foi avisado disto ou não, mas nem precisava - para o melhor e para o pior, deixou um rasto de si próprio na net, para os outros descobrirem quem é.

Numa altura em que cada vez mais as coisas se descobrem rapidamente online, até que ponto a nossa vida se pode definir por aquilo que lá vai parar?  À data em que escrevo estas linhas, uma pesquisa no Google por pauloaguia, o nick que costumo usar para me identificar (e que acho que não é usado por mais ninguém), dá mais de 80 000 páginas! Uma análise rápida dos resultados, trouxe à memória sites que já nem me lembrava de ter visitado ou grupos a que já nem me lembrava que pertenci. E lentamente, dia após dia, ano após ano, vamos deixando estas várias pegadas espalhadas pela net… que podem dizer muito sobrem quem já fomos… mas não necessariamente sobre quem somos hoje.

4 Outubro 2008

Começou o teatro!

A semana de Teatro Cómico da Maia começou a noite passada. E começou da melhor forma :-) Comecei a ficar bem impressionado mesmo antes de lá chegar. Aproveitei o facto de ter um autocarro à porta de casa que passa junto ao Fórum da Maia e lá fui eu. Pelo caminho iam entrando pessoas que nitidamente se dirigiam para lá também. Gosto de ver as pessoas a usar os transportes públicos e, àquela hora, realmente não há muita razão para não os usar, a viagem foi sempre a abrir.

Depois do bilhete comprado, perguntei na bilheteira: “Se eu só viesse ver mais um espectáculo esta semana, qual é que me aconselhava?”. Ele olhou para o programa e respondeu - “O de Domingo. Se só vier ver mais um esta semana, digo-lhe para vir Domingo… mas para a semana há mais para ver ;-)”. Ri-me e segui.

A espera da minha irmã foi facilitada pelo facto de entretanto ter começado o espectáculo de rua. Duas palhaças (daquelas que não têm nariz vermelho nem a cara pintada, mas fazem malabarismos e palhaçadas na mesma), uma italiana e outra espanhola, encantaram um público que se instalou no pequeno anfiteatro ao ar livre, do lado de fora do fórum. A interacção com o público é o forte deste tipo de espectáculos e aqui também não faltou -algumas pessoas foram chamadas ao palco a participar e uma miudita teve direito a quase meia hora de fama. O único defeito eram os degraus do anfiteatro, onde as pessoas estavam sentadas, estarem completamente gelados. Aliás, as actrizes estavam com pouco mais que uma camisa de dormir, como não congelaram foi um milagre.  As noites de Outono ou são chuvosas ou frias e como não se via um vestígio de núvem no céu…

Pranto de Maria Parda

Pranto de Maria Parda

Às 22h30 o espectáculo principal finalmente começou. Fomos presenteados por uma belíssima actuação da Maria do Céu Guerra, no papel da personagem Maria Parda, uma bêbeda de longa data que corre Lisboa de lés a lés à procura de quem lhe dê vinho e, no fim, acaba a escrever o seu testamento. Inicialmente achei a peça um pouco dramática de mais para este tipo de festival, mas a segunda parte, pontuada por uma série de notas de rodapé, deu lugar a várias gargalhadas. Mas a melhor parte foi o que veio a seguir: no fim da peça, a Maria do Céu ficou lá, a falar connosco. Do palco foi respondendo às perguntas que o público lhe colocava. Falou-se de tudo, desde o estado do teatro em Portugal, à carreira da Maria do  Céu, passando pelas telenovels, televisão, cinema, enfim de tudo um pouco. E aquela mulher sabe cativar um público, mesmo não estando a representar - havia várias pessoas completamente deleitadas a ouvi-la falar. A peça deve ter acabado pelas 23h45, saímos de lá já passava de 00h30!

Bem, estive aqui a olhar para o programa a tentar decidir o que ainda quero ver este ano. A peça de Sábado parece interessante, na bilheteira recomendaram-me Domingo… acho que ainda vou mas é os dias todos desta vez :-) Bendita Câmara da Maia por estas iniciativas.

23 Setembro 2008

SPORE - quão perto da realidade?

SPORE

SPORE

Tenho andado meio ocupado, a jogar o jogo SPORE que saiu há alguns dias. Sinteticamente, o jogo começa com a ideia de que a vida foi trazida para um planeta através de um cometa. É nossa missão fazer evoluir essa espécie desde uma forma primitiva inicial, quase celular, através de vários estágios e chegar ao nível da exploração espacial. Para além do divertimento, e de todos os pormenores sobre a jogabilidade, gráficos e essas coisas mais habituais nas críticas a jogos, e como ultimamente tenho tido um banho de mails do AstroPT sobre vida nos outras planetas e evolução, aproveitei para olhar para o jogo de um ponto de vista mais crítico, verificando até que ponto é comparável à realidade tal como a conhecemos.

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2 Setembro 2008

Google Chrome

  logotipo do Google Chrome A Google lançou um browser: o Chrome. Estive a fazer as primeiras experiências. As primeiras conclusões:  

  • Foi extremamente rápido a arrancar
  • O sistema de tabs é idêntico ao do Opera, assim como a página que surge quando se cria um novo tab (inspirada no Speed Dial, sem dúvida)
  • a barra de endereços é extremamente funcional. Não apenas, tal como o Opera, faz pesquisa no texto de páginas onde já estive, mas procura também automaticamente na net. Se começarmos a digitar um endereço extremamente popular é provável que ele apareça numa das sugestões de endereços, mesmo que nunca lá tenhamos ido antes.
  • O layout é simples e funcional. A “carapaça” de browser passa quase despercebida.
Há também algumas coisas de que não gosto tanto:
  • o facto de lançar um processo independente para cada browser. Ao fim de alguns tabs tenho uma quantidade impressionante de memória ocupada por vários processo chrome.exe. Mas é verdade que cada um deles individualmente não ocupa assim tanto como isso (cerca de 10-15MB)
  • Já me crashou 2 vezes. Isto para mim é normal numa versão Beta, não fosse o facto de eles afirmarem que, por serem processos independentes, cada tab devia crashar sem afectar o browser como um todo. Até agora só me crashou o browser como um todo :-P
  • Ainda está muito longe de passar o teste do Acid3. O que significa que há ainda muita coisa dos standards que não está implementada (mas vai bem à frente do IE, isso sem dúvida). Pelo menos o Acid2 passa com distinção!
  • Aquele label no canto inferior esquerdo enquanto uma página esta a carregar é subtil e discreto. Mas irrita-me o facto de ele parecer fugir quando lhe passo o rato por cima, porque é que não há de ficar dentro da janela?
  • Parece-me ter alguns problemas com este site. Volta e meia aparecem-me uns erros de PHP que não vejo no Opera, nem por nada…
De uma maneira geral, para já, parece-me um bom browser. Pela apresentação feita pela Google (mais virada, sem dúvida, para os programadores) tem muita coisa interessante a funcionar nos bastidores e que parece ter sido bem pensada. O tempo dirá de que forma se irá este browser posicionar no mercado. Mas, assim de repente, parece-me que talvez possa vir a destronar o Firefox. E parece ter potencial para servir de concorrência ao Opera noutras plataformas menos tradicionais. Mas isso ainda está longe, no futuro.
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