8 Outubro 2008

Os chapéus do Chapitô

publicado em Hobbies |

Ontem foi mais uma noite de teatro. Desta vez a peça Drákula, representada pelo Chapitô. Eu acho que já tinha visto outras peças deles mas nada me preparou para o que fui ver.

Entrámos na sala e já estavam os actores em palco. Por lá ficaram, a vaguear durante os mais de 15 minutos que o público levou a sentar-se. No palco viam-se uma série de caixotes, malas e malões e vários pequenos adereços. A impressão geral era de um palco meio desarrumado, uns actores meio esfarrapados e que até nem ia ser nada de especial. No entanto…

Os actores eram 3. A peça tinha pelo menos duas dúzias de personagens e outros tantos figurantes, todos desempenhados sempre pelos mesmos 3 actores. A mudança era feita sobretudo pela troca de chapéus (engraçado como um chapéu diz tanto sobre o perfil de um personagem). Não sei de onde vem o nome Chapitô mas depois desta peça não me admirava que fosse dos chapéus :-) O que é mais engraçado é que, apesar de serem apenas 3 actores, havia várias cenas em que estavam 4 ou 5 personagens em palco ao mesmo tempo. Só por aí já dá para começar a imaginar a salganhada que não era e a quantidade de situações cómicas que advêm de alguém ter que chamar por ele próprio ou de andarem a atirar os chapéus de uns para os outros.

Para além disso, percebi porque não havia grande cenário. Havia uma série de cenas no castelo do conde Drákula, cenas em Londres, cenas no barco, comboio, porto, etc… todo o cenário que era preciso era feito movendo os tais caixotes de um lado para o outro. E o movimento aparecia como por magia. A ondulação do barco era feita pelos próprios actores; a viagem de carruagem (uma série de caixotes empilhados uns em cima dos outros) foi das cenas mais movimentadas da peça, sobretudo quando os cavalos disparam e o desgraçado do cocheiro faz um esforço para não cair ao chão, seguro apenas pelas rédeas (não tenho palavras para descrever - mas uma sala cheia de público imaginou claramente o cavalo desenfreado e a carruagem aos saltos - porque eles conseguiram fazer com que os caixotes andassem efectivamente aos saltos!). Outra cena particularmente bem conseguida foi quando o cocheiro da morte os leva até ao castelo - até me deu arrepios…

Não era à toa que a sala estava esgotada, a encenação estava mesmo muito boa. Seja lá como for, o teatro português está bem e recomenda-se. Vão ao teatro!

Esta entrada foi publicada em Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008 às 8:29 e foi arquivada na categoria Hobbies. Pode acompanhar os comentários a esta entrada através do RSS 2.0 feed. Pode deixar um comentário, ou uma referência (trackback) para o seu site.

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