5 Outubro 2008

O poder da imaginação

publicado em Hobbies |

Pelos vistos durante esta semana vou virar crítico de teatro :-) Hoje fui ver a peça ZicZag de Joseph Collard. Este senhor é belga e um excelente mimo.

O espectáculo começou com uma entrada triunfal, que qualquer fã da Guerra das Estrelas iria adorar. A peça basicamente descreve a vida de um mimo:

  • as influências da sua família (que eram todos mimos, desde o pai, a mãe, o avô, o bisavô… só o trisavô é que era informático :-P)
  • as aulas com prestigiados mestres por essa Europa fora (aqui ele fez o papel de mestre e o público de alunos)
  • o primeiro espectáculo e por aí fora

Zic Zag


Ao contrário de muitos mimos este não é mudo. Mas a utilização de sons resume-se ao mínimo indispensável para contar a história, para interagir com o público ou para fazer os efeitos sonoros. Tudo o resto se resume à utilização de um reportório infindável de gestos, movimentos e expressões faciais. Tomara muita gente exprimir-se por palavras tão bem como ele só com o olhar.

A interacção com o público foi constante: as aulas que deu, pondo uma plateia completa a fazer gestos de mimo (a sala parecia esgotada, portanto imaginem mais de 700 pessoas de mãos no ar a tactear uma parede de vidro imaginária!); a criação de personagens da sua história que eram “pescadas” do público; a criação de ambientes provocados pelo público quando fazia os gestos ou os sons que se proporcionavam na altura, contribuindo para engrandecer ainda mais o espectáculo.

Houve uma situação particularmente caricata: a dada altura, estava ele a explicar (sempre por gestos) como as pessoas o aplaudiram imenso no primeiro espectáculo. De cada vez que o público (nós) tentava replicar a situação ele ficava descontente, como se fôssemos muito fraquinhos e pedia cada vez mais. Na iteração final começou mesmo a fazer os gestos de quem se despe e atira as roupas para o palco, em plena euforia (começou por simular que se descalçava e atirava os sapatos para o palco; depois as calças, camisola; enfatizou repetidamente o gesto das senhoras tirarem o soutien e atirarem também). Nisto, quando estávamos novamente a tentar fazer uma ovação ainda maior que as anteriores, alguém atira um sapato para o palco. Tudo pára… ele pede (sempre por gestos)  que, já agora, atirem o segundo - lá foi. Pega nos dois sapatos, chega-se à beira do palco e entrega-os à senhora, dizendo com um sorriso “é mimo”, como quem diz: “é só a fingir, não é preciso fazer as coisas mesmo a sério, bastam os gestos e imaginação”.

E foi demonstrando o poder da imaginação que o espectáculo terminou. Numa sequência ininterrupta em que ele se ia metamorfoseando, cumprimentámos um limpador de vidros; fomos ouvir uma orquestra, com maestro, violino e contrabaixo; aturámos um político; tivemos pena do mendigo; imaginámos as bolas do malabarista; voámos de avião a hélice; fomos à lua e voltámos. Em cinco minutos apenas, e com a ajuda de um mimo, 700 pessoas decobriram quão longe nos pode levar o poder da imaginação…

Esta entrada foi publicada em Domingo, 5 de Outubro de 2008 às 12:47 e foi arquivada na categoria Hobbies. Pode acompanhar os comentários a esta entrada através do RSS 2.0 feed. Pode deixar um comentário, ou uma referência (trackback) para o seu site.

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