22 Julho 2008

Morcegos no Parque Biológico

publicado em ciência |

Já aqui falei sobre as sessões da Ciência Viva, no Verão. Pois hoje fui à primeira daquelas em que me inscrevi.

Fui ver Morcegos ao Parque Biológico, em Gaia :-)
A sessão dividiu-se em 3 partes: exposição de slides, observação de um morcego de perto e observação dos morcegos no exterior, conjuntamente com a audição dos mesmos.
Uma das coisas de que gostei particularmente foi do facto de estarem tantas crianças presentes. Acho mesmo que chegavam a ser mais do que os adultos. É bom ver que os miúdos se interessam por estas coisas (ou que os pais fazem com que se interessem, o que vai dar mais ou menos ao mesmo) e, sobretudo, dá um toque diferente à sessão - os putos nunca têm vergonha de fazer perguntas e os mais velhos ficam menos desinibidos para as fazer também. Ninguém fica com medo de passar por estúpido e a sessão torna-se naquilo que se pretende - um lugar para aprender.

A actividade começou com uma exposição de slides pelo Henrique Alves, do Parque Biológico com detalhes sobre a vida dos morcegos, a forma como usam a eco-localização, como vivem, se reproduzem, onde moram, o que comem, etc. Gostei particularmente de ver o empenho em desmistificar muitas das ideias pré concebidas que as pessoas têm (algumas delas, até eu próprio tinha). Por exemplo, os morcegos não moram só em grutas, mas há morcegos que moram nas árvores ou nas fendas dos muros. A maioria come insectos mas também há morcegos que comem fruta ou mesmo desempenham a tarefa de polinizadores de flores. E sobretudo são muito leves. Eu sempre tive ideia do morcego como um animal relativamente grande mas a maioria nem chega aos 100g. Há mesmo morcegos com 2g, que quando nascem são do tamanho de uma abelha!

Seguiu-se uma coisa que me deixou fascinado. Estava presente uma Doutora do Museu de História Natural (penso eu, já não tenho a certeza do nome do museu, peço desculpa se me enganei) que levou consigo uma morcego que tinha uma asa partida e estava em recuperação. Levava-a dentro de uma luva (daí se percebe quão pequena era) e pousou-a no chão da sala, a comer umas larvas que tinha com ela. Depois deixou-a andar a passear um bocadinho o que fez as maravilhas quer de miúdos quer de graúdos. Nessa altura peguei na máquina fotográfica, apenas para perceber que me tinha esquecido do cartão em casa porque tinha estado a copiar umas fotos para o portátil na véspera! (Como diria o Homer Simpson - Dohh!!). Foi o momento decepcionante da noite mas a bichinha deu um belo espectáculo e houve quem tirasse belas fotos :-)
Desejo-lhe as rápidas melhoras para que possa voltar aos céus, em vez de se andar a arrastar pelo chão.
Durante a sessão andavam os dois de aparelhos de medição de ultra sons em punho para que pudéssemos ouvi-la a falar e perceber os diferentes sons que emite em diferentes situações.

Finalmente viemos para a rua. Junto a um dos holofotes estava, como é habitual junto a qualquer candeeiro de rua, uma série de insectos atraídos pela luz. Naturalmente para os morcegos aquilo era um autêntico restaurante self-service e andavam ali às voltas, entretidos a comer a bicharada. Durante todo o tempo que estivemos na rua os aparelhos de ultra sons estiveram activados para conseguirmos “ouvir” os morcegos e alguns dos insectos também (estes últimos faziam um barulhinho bem irritante).
Realmente é um espectáculo ver os morcegos voar. Têm uma capacidade de manobra impressionante. Conseguem fazer mudanças de direcção que fariam corar de vergonha qualquer ave ou piloto de caça.
Avançámos ainda um pouco mais pela mata do parque, até junto do lago para tentar apanhar uma outra espécie de morcego mas não tivemos sorte. Em compensação vimos pirilampos, garças (ou melhor, silhuetas de garças, mal se percebia o que eram) e uma visão acolhedora de uma mata na escuridão que eu raramente consigo imaginar mas onde me senti muito bem.

No final ficámos um bocado em amena cavaqueira a discutir não só morcegos, mas também acústica, evolução e ciência em geral. A noite estava um espectáculo, sabia mesmo bem andar na rua e gostei muito da sessão. Estou ansioso pelas próximas :-)

Esta entrada foi publicada em Terça-feira, 22 de Julho de 2008 às 1:01 e foi arquivada na categoria ciência. Pode acompanhar os comentários a esta entrada através do RSS 2.0 feed. Pode deixar um comentário, ou uma referência (trackback) para o seu site.

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  1. 1 Em Agosto 15th, 2008, De olho no farol » Paulo Aguiar disse:

    [...] reflectido nuns óculos de SolDepois do fiasco que foi a acção do Ciência Viva sobre os morcegos, em que me esqueci do cartão da máquina, tinha que me redimir. Desta vez fui visitar o farol de [...]

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